Categoria: Ocupa

  • A Veja não nos representa

    O grupo que ocupa o Vale do Anhangabaú desde o último dia 15 de outubro para se manifestar contra o sistema político-econômico vigente recebeu com indignação a matéria de capa da edição de 26 de outubro da revista Veja. A matéria “Dez motivos para se indignar com a corrupção” demonstra mais uma vez a tendência conservadora do conselho editorial do grupo Abril, e sua prática de manipulação da informação pelo método de omissão e ênfase. A manipulação de símbolos é flagrante, por exemplo com o uso descontextualizado da imagem da máscara de Guido Fawkes, que se tornou símbolo dos levantes anticapitalistas no mundo todo, visando canalizar a insatisfação dos 99% da população para as pautas que interessam ao privilegiado grupo econômico da qual a publicação é porta-voz: o empresariado, sobretudo paulista.

    É inegável que os movimentos autônomos que convergem em acampadas em cidades como Belém, Salvador, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo, em consonância com os levantes internacionais, condenam qualquer forma de corrupção. Entretanto aquilo contra o qual lutamos é uma doença muito maior, a corrupção é apenas um de seus desagradáveis sintomas (ver Manifesto da ocupação paulista, em anexo). A revista Veja usa suas páginas para atacar o Governo Federal e fazer “oposição” de Direita. Combater a corrupção como se fosse causa e não consequência é alimentar o mal ou, para dizer o mínimo, enxugar gelo. O sistema político vigente, as regras do jogo em si, é que propiciam, senão incentivam práticas de corrupção.

    Mas para além do desvio de dinheiro público por debaixo dos panos, existe outras formas de alocação de recursos públicos para interesses privados, como no caso da construção da usina de Belo Monte, que terá 80% do seu custo de R$ 30 Bilhões bancado com dinheiro público, mesmo que os únicos beneficiados com a obra sejam as empreiteiras e as empresas estrangeiras que exploram o alumínio na região Norte. Apenas 10% desse alumínio fica no Brasil; quanto aos lucros, a maior parte fica nas mãos dessas corporações transnacionais e de uma pequena elite política brasileira. Sobram para os brasileiros apenas a conta para pagar, e o sofrimento causado pelos impactos sociais e ambientais.

    Outro modo de apropriação do Estado pelo interesse particular é a aprovação de leis como o novo Código Florestal, que tem sido tocado como o rolo compressor da bancada ruralista. O prejuízo ambiental será de todos, uma vez que todos terão menos oxigênio, nascentes de rios e biodiversidade. Enquanto os exportadores de soja, milho e cana, mais dinheiro em suas contas.

    As acampadas anticapitalistas como a ocupação do Viaduto do Chá apelidada provisóriamente como Acampa Sampa contestam o sistema de Democracia Representativa, por entender que o povo tem o direito de participar diretamente da discussão e decisão políticas. Constatamos que os políticos não nos representam. Uma vez eleitos, representam apenas a seus próprios interesses e o daqueles que financiam suas campanhas.

    Entretanto é importante notar que o que Veja propõe não é uma transformação política que impeça tais práticas, mas ao contrário, gostaria de ver os magnatas da indústria e comércio, marcadamente associadas a PSDB e DEM no comando do Estado para arbitrar tanto quanto as elites agrárias às quais o atual governo petista se aliou.

    Essa postura é evidenciada pelo fato de que a revista dá voz à Fiesp, mas não entrevistou sequer um dos participantes dos movimentos de “indignados” das ocupações públicas. A revista, que dá ênfase à corrupção no atual governo federal, não retoma os escândalos dos governos passados e apresenta propostas extremamente neoliberais como remédio para a corrupção. Veja chega colocar no mesmo balaio dos corruptos, também aposentados, pensionistas e pessoas que recebem bolsas do governo. O que Veja quer é defender a diminuição de gastos sociais e a demissão de miliares de funcionários públicos e diminuir a carga tributária paga por seus patrocinadores.

    Veja tenta confundir o leitor, fazendo parecer que a sua luta específica contra o Governo Dilma e a favor dos empresários é a luta dos acampamentos de indignados. A Veja não nos representa. Nossa luta não é simplesmente contra o governo Dilma. Nossa luta é contra o Capital e os governos de um modo geral. Queremos a mudança do sistema e a transição para uma sociedade em que todos tenham vez e voz. Nossa luta é também contra os governos estaduais e municipais do bloco político sustentado pelo grupo Abril.

    Nossa luta por Democracia Real é também uma luta contra empresas de comunicação manipuladoras do processo político, como a própria Veja. Enquanto houver essa democracia indireta e o capitalismo selvagem, haverá corrupção.

    Não queremos um estado reduzido para ver o poder ainda mais concentrado nas mãos de empresários. Queremos o poder nas mãos do povo, e o povo plenamente livre, decidindo junto os destinos de suas comunidades. É por isso que não concordamos com qualquer reforma política que sirva para manter e aumentar o poder daqueles que já concentram poder, queremos a transformação completa do sistema.

    Discordamos também quando a revista afirma que o Brasil não está em uma situação tão grave quanto a dos países europeus que enfrentam a crise do capital. O que acontece é que o Brasil se acostumou com a crise e com as suas gritantes contradições. Basta olhar a situação dos sem-teto, dos sem-hospital, dos sem-escola, dos sem voz em nosso país para ver que a situação do Brasil que cresce, cresce para poucos. Chegamos a essa situação não simplesmente por causa da corrupção, mas pela exploração do homem pelo homem que já dura mais de cinco séculos.

  • faixas

    Contrariando decisão da juiza Simone Lemos, policiais da Guarda Civil Metropolitana estão neste momento no acampamento, e pretendem tirar as nossas faixas.

    Essa ação vai contra decisão expedida pela juiza no dia 20 de outubro, onde, dentre outras coisas, pode-se ler:

    Defiro parcialmente a medida liminar tão somente para, verificada a reunião de pessoas em espaço público tal qual permitido pela Constituição Federal, de modo pacífico e sem uso de armamentos de qualquer espécie, autorizar o uso de escritos, cartazes ou afins, impedindo a autoridade coatora de proceder ao recolhimento de ditos materiais.

  • 3 mil policiais ensaiam no Vale do Anhangabaú

    Neste momento (seg pela manhã) está acontecendo o ensaio de formatura com 3.000 soldados da polícia militar.

     

    Mais fotos em: http://www.flickr.com/photos/janelinha/sets/72157627967538902/

  • "Eu não quero me matar" – Dona Cida

    Só sairemos daqui quando a história de milhares de Dona Cidas forem transformadas.

    [youtube=XhA6cC1-T-o]

  • Atualização da lista de necessidades

    http://15osp.org/necessidades/

    Novos itens na lista de necesssidades:

    + Serrote
    + Bambu
    + Fita Adesiva
    + Lona
    + Barraca

  • Juíza defere parcialmente mandado de segurança de manifestantes da Ocupa São Paulo

    A juíza Simone Leme deferiu parcialmente o mandado de segurança impetrado pelos manifestantes do movimento Ocupa São Paulo/ 15.O.SP/ Democracia Real Já. A decisão autoriza o uso de cartazes e faixas (que estavam sendo arrancados sob a alegação esdrúxula de violar a lei do Cidade Limpa). No entanto, a decisão não reconheceu o direito dos manifestantes acamparem. Abaixo segue o documento com o despacho da juíza. É muito importante que as pessoas carregarem uma cópia consigo em
    caso de abuso da ação policial.

    Abra o pdf do despacho LIMINAR CONCEDIDA parcialmente aqui!

  • Lista de necessidades atualizada

    http://15osp.org/necessidades/

    + água mineral urgente!
    + sisal urgente!
    + filtro  grande para café (de preferência de pano) urgente!
    + formas urgente!
    + frutas verduras e legumes urgente!
    + óleo urgente!
    + panela de pressão grande urgente!
    + panelas grandes urgente!
    + papel alumínio ou filme plástico urgente!
    + caixas plásticas (para armazenar de alimentos) urgente!
    + chave L 10/11 para abrir escape de óleo do nosso gerador
    + vitaminas C (a galera dormindo no frio está ficando com gripe)
    + Antiinflamatorio para dor de dente urgente!

    Dúvidas liguem para 4114 0525

     

  • Agradecemos!

    Nós do acampa sampa gostaríamos de agradecer a todos e todas que doaram alimentos ou objetos ao acampamento.

    Desde sábado recebemos muitas pessoas dispostas a doarem seu tempo ou algumas coisas que não lhe farão falta ao acampamento, e para nós, isso demonstra a importância de nossas bandeiras e a urgência de se construir a democracia real no Brasil.

    Se você está a fim de doar alguma coisa, dê uma olhada na nossa lista de necessidades, e não pense duas vezes antes de vir aqui embaixo do Viaduto do Chá conversar, debater, nos conhecer e curtir um som.

  • Agora, twitaço pelo direito de manifestação

    A prefeitura de São Paulo tem sistematicamente desrespeitado o direito de manifestação protegido pelo artigo 5o da Constituição brasileira. Por meio da Guarda Civil Metropolitana, ela proibiu que os manifestantes do 15.O montassem as barracas, sob a alegação sem cabimento de que constituíam ocupação irregular do solo. Depois, utilizou a lei Cidade Limpa para tentar impedir que os manifestantes exponham suas faixas com reivindicações. Um mandado de segurança pedindo o respeito ao direito de manifestação foi indefirido pela juíza Simone Leme, sob a alegação de que o movimento “não existe”. O twitaço busca dar publicidade às violações ao direito de manifestação e exigir da prefeitura que respeite os direitos assegurados pela Constituição.

    Sugestões de tweets:

    @SegurancaUrbana @Prefeitura_SP Prefeitura de SP impede direito de manifestação: http://15osp.org/ #DireitoManifestar #AcampaSampa

    @SegurancaUrbana @Prefeitura_SP GCM desrespeita art. 5o da Constituição. Pelo direito de manifestação #DireitoManifestar #AcampaSampa

    @SegurancaUrbana @Prefeitura_SP Carregar faixas não viola o Cidade Limpa. Pelo direito de manifestação #DireitoManifestar #AcampaSampa

    @SegurancaUrbana @Prefeitura_SP Nossas barracas não são ocupação irregular do solo. Direito de manifestação! #DireitoManifestar #AcampaSampa

  • GCM recebe ofício pedindo respeito ao direito de manifestação

    Os advogados do movimento AcampaSampa/ Ocupe São Paulo/ 15.O.SP protocolaram ofício de comunicação e resguardo de direitos na Secretaria de Segurança Munciipal (à qual a Guarda Civil Metropolitana está subordinada). Comunicação semelhante foi protocolada na Secretaria Estadual de Segurança (responsável pela Polícia Militar) e na subprefeitura. Em defesa do direito de manifestação!